quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

É uma menina!


Ei! O que está acontecendo? Alguma coisa está me puxando, mas pra onde? Por favor, parem de mexer, estou passando mal. Que mãos são essas? E por que são tão maiores que as minhas? Me solte, solte meu rosto, não posso ver nada! Não me tire daqui, eu gosto da minha casa. Ouço gritos, não gosto disso. Não sei porque, mas sei que a pessoa que grita me ama, não quero fazê-la sofrer. Me coloque lá dentro de novo, é bom pra mim e ela pára de gritar, está frio aqui fora. De repente aquela pessoa de mãos grandes e cabelos brancos diz: " É uma menina" e em um instinto de defesa começo chorar, sem demora ele me coloca nos braços da mulher que me ama. Como é linda, ela me olha com olhos profundos, brilhantes e começa a soltar lágrimas, isso inexplicavelmente me obriga a parar de chorar, acho que não existe lugar mais quente e seguro do que o colo dessa mulher. Tudo bem eu aceito ficar aqui, mas estou com fome, será que ninguém me escuta nesse lugar? Estão me tirando dela, de novo não. Me devolvam lá, será que ninguém me respeita? Meu frio voltou, chorar dessa vez não está resolvendo, estão jogando água em mim, passando panos, me enrolando, uaal, até que ficou bem melhor assim. Estou vendo de novo aquela mulher. Agora estou lembrando, lembrando da sua voz, de como ela me chamava, dos seus carinhos, das histórinhas de princesas que ela lia para mim, ela sempre me dizia ser minha mamãe e chamava de Poliana, disse que seríamos muito felizes juntas. Me entregam à ela e dizem: "Parabéns mamãe, seu bebê é lindo!". Que estranho, eu que era Poliana, descubro que sou uma menina e surpreendentemente me chamam de bebê, que pessoas mais esquisitas. Mamãe tem um jeito todo especial de me segurar. Que coisa é essa que você quer colocar na minha boca? Tire, não quero isso, pare de insistir, não, não quero. "Ela não está querendo o peito, enfermeira, será que tenho leite, meu bebê vai ficar com fome" - mamãe disse. Oras, porque não disse logo que minha comida fica ai, mas que difícil, tem que ficar fazendo esforço, tem que sugar muito...mas como isso é bom. Sentir suas mãos sedosas em meu rosto enquanto me alimento é melhor ainda, estou começando a gostar desse lugar.

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